quinta-feira, 4 de agosto de 2016

SANTÍSSIMOS CORDEIRINHOS

SANTÍSSIMOS CORDEIRINHOS.               

Para que se há-de apagar o fogo, se é essa a vontade de Deus? Deixa-se arder!
É nesta prespectiva que se cala e consente tudo, além de que este tipo de denúncias são entendidas como provocatórias, originando um sistema de represálias sobre quem comete a "ousadia" de não deixar arder em silêncio.
Predomina então a ignomínia, sob os mais torpes disfarces sobre o ou os visados doentes na maioria dos casos praticados à revelia pelas pessoas mais insuspeitas que usurpam da ética e profissionalismo que lhes assiste porque o sistema os protege na covardia dos  factos. Esquecem porém, que ainda prevalece a justiça, apesar de doente, ainda vive, até às mais altas instâncias.
Assim, não é admissível que exista uma exígua sala de espera no Hospital da Horta para albergar doentes de duas especialidades distintas, Oftalmologia, e Otorrinolaringologia, não disponibilizando cadeiras em número suficiente  para acolher todos os doentes quase todos os dias, proibidos de permanecer nos corredores, encostados às paredes os doentes obrigam-se a ficar de pé, ou sentados no chão dentro da sala de espera até que surja vez de sentar.
Foram gastos milhões de euros num edifício arquitetonicamente deficiente sem as valências necessárias ao seu usufruto em praticamente todas as áreas, numa manobra política enganadora para todos os que infelizmente dele nececitam, produzindo por metade aquilo que deveria ser o mínimo aceitável.
As máquinas fotográficas da RIAC e Registo Civil avariam em simultâneo e com frequência, a sala de espera da RIAC disponibiliza duas cadeiras para quem espera vez, que uma única funcionária procura suprir dando melhor de si, a Secretaria Regional da Solidariedade Social, tem a pomposidade do nome socialmente aceite, revelando-se um embuste no não auxílio a idosos, e população em geral, obrigando ao cumprimento de leis injustas e anti sociais, a Assistência Social não utiliza um critério único de suporte aos desfavorecidos. Conclusão: matam-nos pelos "benefícios" que não se usufruem, utilizados como estandarte de governação imaculada que o povo ingere nos silêncios das digestões imprevisíveis de cada dia.
Das gigantescas sombras iluminadas pela soberba, brotam fantasias enganadoras e ultrajantes para os humilhados destas ilhas onde continua a ser negado o direito à dignidade humana da existência.
Os focos de pobreza aumentam silenciosa e vergonhosamente, sem o mínimo manifesto deste governo regional, vive-se  no medo e necessidades, porém, há os que vivem da exortação e conformismo das mesmas por vontade divina. Confinados ao curto espaço de cada ilha e das suas necessidades específicas urgentes, há quem cante louvores e glórias a este governo regional, chegando ao cúmulo de se fazerem postar orgulhosamente numa selfie ao lado do abençoado presidente do governo regional como se fora troféu com uma pretensa divindade do Olimpo, para gáudio do próprio, e alimentação de egos inqualificáveis de quem vive bem com patrocínios governamentais e não sente um mínimo de vergonha e solidariedade para com os seus iguais limitados e submetidos a uma mísera e deficiente refeição diária. Exigir tratamento igualitário para todos os Acorianos é o mínimo que cada qual deveria fazer por si próprio e pelos outros em igualdade democrática inexistente.
No governo de salazar existia a figura do regedor, hoje, nos Açores, e não só, essa figura de má memória continua a existir com os mesmos poderes, capacidade de delação e mesquinhez bajuladora, continuam sendo os arautos felizes deste governo, governando-se.
Curvar-se das alturas para beijar velhinhas, criancinhas, sempre foi um jogo com resultados garantidos eleitoralistas de uma aparente humildade que este presidente nunca possuiu com qualquer Açoriano independente das idades. Basta de falsa propaganda, na sombra da hipocrisia do parecer em vez do ser.
"Dos nossos medos tem que nascer coragens" parafraseando Eduardo Galeano,
No centro deste foguetório com artifício onde ganha força e forma a lei do mais forte, o governo regional apresenta-se como divindade toda poderosa detentora da verdade e do prodígio Ciclope, estereotipado, do mau governo absolutista.
O povo Açoriano, exige democracia igualitária para todas as nove ilhas que compõe este arquipélago, em todas as áreas sociais como ponto de partida para o progresso retardatário, e contra a delapidação em que vive sujeito. Basta de cordeirinhos e inércia premeditada. Clama-se justiça daquilo que consiste num direito humano irrevogável.

Vítor Jorge

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A "FESTA" DOS TUPINIQUINS

A "FESTA" DOS TUPINIQUINS "

Todo o mundo tá presente, e muita gente ainda tá p'ra chegar: p'ranimar a FESTA," SEMANA DO MAR 2016"! Isto aqui está muito quente, está muito bom, olha a grande animação, comidas e bebidas às paletes, músicas a pontapés, o oceano virou lago; em terra, as ruas sumiram, foram p'rá festa, e anda a gente em ziguezague, uns com asas nos pés, outros com pés de chumbo, choques, embates, desculpas apressadas, sorrisos prazerosos. Caem as noites suaves em monumentais bebedeiras, muita alegria, vómitos de fartura, de fraqueza, servem de almofada, ali mesmo, nas ruas, praias, onde quer se esteja, no masculino, feminino, segura o tchan amarra o tchan, a lua míngua, o sol desponta para um novo dia nublado na forte ressaca dissimulada no breu da bica milagrosa.
Segue a festa, esta é a essência . Que festa? A depurativa orgânica! Vivam os lucros!
Há muito mais "festa" para além da festa: a dos tupiniquins! Quais bichos do mato, encarcerados nas suas viaturas, pedalando para não chegar com atraso aos seus empregos, a contas com desvios, voltas, reviravoltas, condicionamentos. Puzzles de solução difícil e onerosa a qualquer hora do dia, de muitos dias. Alto preço pagam os tupiniquins pela alegoria "festiva."
É um dever ético da organização deste evento, SEMANA do Mar, fazer muitíssimo melhor. Primeiro que tudo a salvaguarda harmónica do nosso povo "tupiniquins", depois os forasteiros que nos visitam. Mas a capacidade de fazer bem, não se vende, ou se tem, ou se teima em não ter, ou sofrem de decidofobia naif elevada ao cubo. Ou será desígnio divino? À cete égard !
Pôr um fim às restrições, proibições, libertar artérias deste "mau colesterol" imposto ao povo Faialense, facultar—lhe os motivos para festejar livremente a sua Semana do Mar, é prioritário. Primeiro nós, depois, e só depois, boas vindas aos forasteiros que desejem partilhar a alegria da festa livremente. Esta gratificante experiência já foi testada com resultados positivos, descontinuada sem justificação plausível. Não cabe na cabeça de ninguém que se interdite o livre acesso ao nosso melhor palco: Avenida Marginal e ruas limítrofes, acessos fundamentais ao correcto e saudável funcionamento dos pulmões desta cidade mar. Isto sim, é progresso saudável que deve ser cultivado, desenvolvido e acarinhado, em nome do povo e da sua belíssima cidade, que a comissão de festas se deve orgulhar de fazer reviver e partilhar com lucro garantido pela natureza ávida de mudança.
Obviamente fica provado que não dispomos de inteligência plausível, com capacidade de inverter o colapso. Que se importem mentes capazes de repor a ordem e progresso natural da festa, e, garantidamente, sobrará lucro para fogos de artifício, e da maior comemoração de todas : a liberdade de viver a festa sem grilhetas nem algemas.
Esta, é a "festa" dos tupiniquins.

(tupiniquins : [etnologia] pertencente ou relativo aos tupiniquins, antiga nação de índios brasileiros, no território da Bahia, actualmente ocupado.)

Vítor Jorge

sábado, 23 de julho de 2016

OS BUFOS

OS BUFOS

A palavra bufo na sua etimologia tem diversos significados nos dicionários de língua portuguesa. Nome masculino, na sua forma popular significa: pessoa que faz queixa dos outros, que denuncia os outros.
Nem as entidades divinas possuem nos seus exércitos arcanjos com capacidade depurativa desta praga humana perfeitamente dispensável, permanecendo evolutivamente a título de desígnio divino.
Sem constituir uma doença, é uma atitude humana próxima da esquizofrenia, da alienação horrenda do ego e da personalidade.
A sua história é tão antiga quanto a humanidade, na actualidade, motivada por determinados padrões sociais doentios, pessoas têm prosseguido nesta forma de aviltamento do ego na espectactiva de atingir o topo daquilo que entendem por "pirâmide social", a fórmula mais torpe de o conseguir, é , como é possível constatar, tornando-se num bufo especializado.
Comum aos dois sexos, embora explícito no masculino, prolífera epidémicamente em todas as áreas sociais. Sem identificação ou sinal que os defina, ou forma de os contabilizar, os bufos sempre constituiram uma "classe" social perversa e mesquinha na convivência com a honestidade e personalidade decentes, quer individualmente quer no colectivo. Aqui cabe a expressão " tanto é o ladrão, como o que fica ao portão", ou seja, o bufo delata alguém a outrém que por sua vez o consente para utilização pessoal ou colectiva, eis como se multiplicam estes vermes que se passeiam diariamente livres e disfarçados da mais imaculada inocência.
A covardia é o seu lugar comum, tola e velhacamente convictos que prestam um serviço que construirá os seus egos desfeitos em prodígios perante os sósias que se servem deles com igual perfídia delatando a seguir o seu venenoso "troféu".
São incontáveis as vítimas inocentes que estes bufos deixam pelos caminhos das suas existências necrófagas despojadas de qualquer sentido humano. As ditaduras utilizam-nos como polícias servis, lambe botas de sistemas políticos decrépitos, as democracias corruptas, o capitalismo, e cuide-se o leitor, que a seu lado tem imensos com residência fixa dispostos a tudo para bufar a sua existência aos quatro pontos cardeais.
Toda esta preocupante convivência tem como finalidade uma nova ordem social, segundo o parecer de alguns especialistas da regeneração humana, que evoluirá no sentido da sã convivência irmanada na bondade universal. Gostaria de partilhar o optimismo destes especialistas e acreditar na prática do bem e na total aniquilação e erradicação da face da terra desta terrível praga social. Até lá, confesso-me séptico e hermético aos bufos de qualquer etiologia.

Victor Jorge

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Voltei com o vento

VOLTEI COM O VENTO

O vento sopra para várias direções.

Em uma dessas direções

O vento me levou.

Assim como me trouxe de volta,

A casa que sempre me acolheu.

Não é que eu tenha escolhido ir.

Mas o destino se fez presente.

E não pude vencê-lo.

Levou-me para mais um desafio.

O desafio foi vencido e conquistado.

E lá do outro lado senti, saudades.

E a saudade me trouxe o vento.

O vento me trouxe de volta.

Hoje eu voltei!

Com o coração aberto e mais maduro.

Pronto para enfrentar novos convites

Vindo com o vento.

Mas não se preocupe se eu for.

Porque sempre estarei de volta.

Assim como vento vai e volta;

Eu também vou!

Levando lembranças.

E trazendo novidades.

A FLOR DE LIS *_*

quinta-feira, 21 de julho de 2016

ILHA


Tu vives - mãe adormecida- nua e esquecida, seca, fustigada pelos ventos, ao som das músicas sem música das águas que nos prendem...

Ilha: teus montes e teus vales não sentiram passar os tempos e ficaram no mundo dos teus sonhos - os sonhos dos teus filhos - a clamar aos ventos que passam, e às aves que voam, livres, as tuas ânsias!

Ilha: colina sem fim de terra vermelha - terra dura - rochas escarpadas tapando os horizontes, mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!

Amilcar Cabral

terça-feira, 19 de julho de 2016

O EGO COLECTIVO

O EGO COLETIVO

Trecho de “O DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA” Por Eckhart Tolle
(tradução Henrique Monteiro)

Até que ponto é difícil viver consigo mesmo? Uma das maneiras pelas quais o ego tenta escapar da insatisfação que tem em relação a si próprio é ampliando e fortalecendo sua percepção do eu. Ele faz isso identificando-se com um grupo, que pode ser um país, um partido político, uma empresa, uma instituição, uma seita, um clube, uma turma, um time de futebol, etc. Em alguns casos, o ego pessoal parece se dissolver completamente quando alguém dedica a vida a trabalhar com abnegação pelo bem maior de uma coletividade sem exigir recompensa, reconhecimento nem enaltecimento. Que alívio ser libertado da carga incômoda do eu pessoal. Os membros do grupo sentem-se felizes e satisfeitos, não importa quanto precisem trabalhar, quantos sacrifícios tenham que fazer. Eles parecem ter superado o ego. A questão é: será que se libertaram de verdade ou o ego apenas se mudou do plano pessoal para o coletivo? Um ego coletivo manifesta as mesmas características do ego pessoal, como a necessidade de enfrentamentos e inimigos, de ter ou fazer mais, de estar certo e mostrar que os outros estão errados, etc. Cedo ou tarde, essa coletividade entrará em conflito com outras coletividades porque busca inconscientemente o desentendimento e precisa de oposição para definir seus limites e, assim, a própria identidade. Depois, seus integrantes experimentam o sofrimento, que é uma conseqüência inevitável de toda ação motivada pelo ego. A essa altura, eles podem despertar e compreender que seu grupo tem um forte componente de insanidade. Pode ser doloroso acordar de repente e perceber que a coletividade com a qual nos identificamos e para a qual trabalhamos é, na verdade, insana. Nesse momento, há pessoas que se tornam cínicas ou amargas e, daí por diante, passam a negar todos os valores, tudo o que vale a pena. Isso significa que elas adotam rapidamente outro sistema de crenças quando o anterior é reconhecido como ilusório e, portanto, entra em colapso. Elas não encaram a morte do seu ego; em vez disso, fogem e reencarnam em outro. Um ego coletivo costuma ser mais inconsciente do que os indivíduos que o constituem. Por exemplo, as multidões (que são entidades egóicas coletivas temporárias) são capazes de cometer atrocidades que a pessoa sozinha não seria capaz de praticar. Vez por outra, os países adotam um comportamento que seria imediatamente reconhecido como psicopático numa pessoa. À medida que a nova consciência for surgindo, algumas pessoas se sentirão motivadas a formar grupos que a reflitam. E eles não serão egos coletivos. Seus membros não terão necessidade de estabelecer sua identidade por meio deles, pois já não estarão procurando nenhuma forma para definir quem são. Ainda que essas pessoas não estejam totalmente livres do ego, elas terão consciência bastante para reconhecê-lo em si mesmas ou nos outros tão logo ele se manifeste. No entanto, será preciso estar sempre alerta, uma vez que o ego tentará assumir o controle e se reafirmar de qualquer maneira. Dissolver o ego humano trazendo-o à luz da consciência – esse será um dos principais propósitos desses grupos formados por pessoas esclarecidas, sejam eles empresas, instituições de caridade, escolas ou comunidades. Essas coletividades vão cumprir uma função importante no surgimento da nova consciência. Enquanto os grupos egóicos pressionam no sentido da inconsciência e do sofrimento, as agremiações esclarecidas podem ser um vórtice para a consciência que irá acelerar a mudança planetária.

domingo, 17 de julho de 2016

NEBLINAS & TURISMO S.A.

Esta asfixiante e intermitente neblina em pleno mês de Julho, faz-me dor de cabeça. Abro as janelas, para as fechar imediatamente a seguir. Temo que a réstea de verão que sobra dentro destes quartos se escape. Saio para a rua, a impiedosa neblina não permite que o meu olhar ultrapasse os dez metros, outras vezes, nem tanto. Apoio os braços na janela da bruma, penetro como uma flecha na densidade asfixiante e depressora da bruma plumbea: o azul suave, a carícia do sol invadem-me, ergo esta orgia de sentidos nos meus braços, como se ergue um afogado para o transportar a terra firme, um tremor de emoção, contemplo o universo, pior melhor, não sei, respiro sol, azul, daria metade da minha vida por este tónico natural que ora me fortalece. Talvez não tenha sabido olhar, tenho os meus olhos apagados pela neblina, sou um cego honesto.
Não acreditem que os meus dedos me transmitem a paz roçando o pontilhado dos caracteres Braille, nas minhas leituras e preocupações sociais, o desassossego anula a estúpida tranquilidade que oferece a posse sem lutas, a persistência da densa bruma continua sendo um arpão na esperança democrática destas ilhas Açóricas.
Vislumbro além das neblinas: o povo que se bronzeia da densa névoa, aplaude de pé o progresso nebuloso à boleia das neblinas protectoras em que se firma evanescente.
A espessa densidade de fog cativa turistas! Quem diria! Tantos, que entopem as ruas dificultando o trânsito automóvel. Delicadamente imobiliza-se a viatura, sem progresso chega-se tarde ao emprego, ás necessidades de quem pretende suprir a existência. Nada! Ninguém se move um milímetro, por vias da lógica as viaturas automóveis vem equipadas com uma buzina que obrigatoriamente se faz soar mínima e delicadamente em fá sustenido para não quebrar o enleio e felicidade de quem amávelmente nos visita. Estala o caos, os visados entendem que pagaram o silêncio, as ruas, o fog, a ilha inteira. Partem para viatura visada com a agressividade a quem desfacelaram os tímpanos, insultam, pontapeiam, (inclusive senhoras) extremam-se posições e, por fim, lá se consegue a tão desejada progressão, agora depressiva na expectativa da próxima que poderá surgir ao voltar da esquina a seguir. Sem generalizar, não é lugar comum, mas cada dia há mais.
O turismo é desejável, mas nunca o seu futuro desorganizado. É possível a coabitação saudável de turistas e residentes desde que impere o respeito mútuo.
Surgem novas empresas pretensamente vocacionadas para o turismo, até para o científico, todas são dignas de aplausos, porém a desorganização flagrante, a cegueira do lucro fácil, constituem motivo de preocupação. Vender gato por lebre, ou comprar férias no paraíso, trás repercussões negativas a breve trecho, que ninguém modera ou acautela relativamente ao futuro turístico regional. Abram alas e siga a festa, vamos alugar as ilhas, exportar nevoeiro, manuais para turistas pedestres, viver para o Vaticano, subsistir de alugueres, e rezar terços em harmonia com o orgulho da fé(zada.)

Vítor Jorge
13/07/2016