sexta-feira, 4 de agosto de 2017

FRIEIRAS NO VERÃO

FRIEIRAS NO VERÃO

Um autarca renitente e eleitoralista, um governo regional caquético, são os ingredientes desta pandemia local em pleno verão que naturalmente surge no inverno. As alterações climáticas são um facto consumado, se lhe juntarmos um punho rosa recheado de incompetências, como resultado final temos frieiras pandémicas com feridas purulentas que inevitavelmente infetam a sociedade Faialense com danos irreversíveis a todos os títulos, sem dó, mas com ré-mi-fá-sol-lá-si, para alegria de totós que reservam para si um direito inalienável: o de não pensar em coisa nenhuma. São os eleitos.
Em consciência todos concordamos que para construir ou reparar tem que se fazer obras. Qualquer obra demora mais ou menos tempo na sua concretização, também aqui a concordância generalizada, mas quando a sua programação e cálculos falham por redundância oportunista e eleitoralista, aplica-se a lei de Murphy: "se algo pode dar errado vai dar errado". É o caso! Os Faialenses continuam submetidos aos prejuízos e sevícias patrocinados pela total desordem camarária na pior época do ano. À guisa de panaceia previna-se com uma embalagem de pomada Thrombocid, quando se deslocar a pé, torre o dinheirinho das férias em combustível nos infindáveis desvios e reze um terço por chegar viva(o) a casa após a odisseia. Dê graças por ter um fio de água "potável" na torneira para o cafezinho, tome banho de mar, almoce e jante no "refeitório municipal",  e pragueje até que a voz lhe doa, são carícias que os nossos autarcas lhe agradecem com o destempero altaneiro das frieiras eleitoralistas. Os dias são de festa rija, do medo nasceu o pânico ataviado na surdina das amenas cavaqueiras de todos os dias. Enquanto isso, os dias sucedem-se às noites na sua intemporalidade irreversível, como irreversíveis são as situações gritantes dos Faialenses a cada alvor mais pobres nas suas justíssimas ambições de progresso e bem-estar, ora vejamos a primeira página de espesso volume: o amianto afinal é "benéfico" para a saúde, o hospital da Horta continua uma pantomima, a Sata "Air Azores" bateu o recorde das bravuras dos heróis das bandas desenhadas do Super Homem, Batman, Capitão América, e Lucky Luke, o aeroporto da Horta permanece um apeadeiro aéreo sem hipóteses de "aumento de extensão", as redes viárias da ilha degradam-se ao ritmo natural da deficiente pavimentação, os turistas protestam em terra, divertem-se no mar, que já grita por obras, a unidade do triângulo perdeu-se, expectante no Sebastianismo utópico. Residentes e turistas sofrem na carne os prejuízos, e a desilusão de mais um verão perdido neste eczema de frieiras eleitorais,  cuja profilaxia de cura será sempre o voto consciente da mudança nas alternativas válidas já anunciadas. Diga não à fome feroz das frieiras por quatro invernos e verões. Tome o gosto de uma liberdade responsável progressista e participativa. Há alternativas.

Vitor Jorge
04/08/2017

quarta-feira, 5 de abril de 2017

sexta-feira, 24 de março de 2017

DIA A DIA

Ontem, e por força de circunstância, estive à conversa com dois proselitistas, adeptos fervorosos do salazarismo. Joguei conversa fora, coisas sem importância de maior, mas que foram, contudo, suficientes para me darem a entender que sentem por mim um desprezo amável e compreensivo, quase piedoso. Imagino que eles, quando se refastelam nos velhos cadeirões da demência, se devem sentir quase omnipresentes, pelo menos tão perto do Olimpo quanto pode chegar a sentir-se uma alma sórdida e escura. Chegaram ao ponto máximo. Para um futebolista, o máximo significa um dia fazer parte da selecção nacional; para um místico, comunicar​ alguma vez com o seu Deus; para um sentimental, encontrar num outro ser alguma vez o verdadeiro e o dos seus sentimentos. Em contrapartida, para esta pobre gente o máximo é um dia sentar-se nos cadeirões da etocracia, experimentar a sensação (que para outros seria tão incómoda) de que alguns destinos, estão nas suas mãos, ter a ilusão de que resolvem, de que dispõem, de que são alguém. No entanto, ontem, enquanto os observava, não consegui ver neles a cara de alguém mas de algo. Parecem-me coisas, não pessoas. Mas que lhes parecerei eu? Um imbecil, um incapaz, um fraco que se atreveu a recusar uma oferta do Olimpo, um Zé Ninguém. Uma vez, há muitos anos, ouvi o mais velho dizer: " o grande erro de alguns homens de negócios é tratar os seus empregados como se fossem humanos," nunca esqueci, nem esquecer​ei, aquela frasezinha, pela simples razão de que não a posso perdoar. Não apenas em meu nome mas em nome de todo o género humano. Agora sinto a forte tentação de dar a volta à frase e pensar: "o grande erro de alguns empregados é tratar os patrões como se fossem pessoas." Mas resisto a essa tentação. São pessoas. Não parecem, mas são. E pessoas dignas de uma odiosa piedade, da mais infamante entre as piedades, porque a verdade é que constroem  para elas uma casca de orgulho, uma repugnante desfaçatez, uma sólida hipocrisia, mas, no fundo, são ocos. Asquerosos e ocos. E padecem da mais horrível variante de solidão, a solidão daquele que nem a si próprio se tem.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

AZUL DOURADO

AZUL DOURADO

Tenho em mãos a "famosa" revista Horta Municipal (gestão estratégica potência investimentos). Hilariante! Seguem-se trinta e nove páginas "cativantes", trinta delas reservadas escrupulosamente ao excelso carisma pessoal de demagogo profissional do presidente da Edilidade Faialense. No seu todo, a revista revela-se extra-piramidal, demonstrativa da "pujança feliz" com que o autocrata presidente da Edilidade marca com ferrete em brasa o povo desta ilha com a sua "brilhante" gestão recorrente num festival de photoshop azul dourado no desiderato de demonstrar que esta ilha se transformou no paraíso na terra por mérito soberano da sua gestão de polichinelo.
Vistas as coisas por esta dioptria vivemos numa ilha idílica onde as necessidades dos munícipes estão preenchidas, se não, na melhor das hipóteses dentro dos próximos cem anos, tempo expectável da prestidigitação de prevalência PS à frente dos destinos do povo desta ilha. Todos sabem que "Roma e Pavia não se fizeram num dia", e que é necessário tempo para solucionar a imensidão dos problemas existentes, também se sabe, ou deveria saber-se, que a obra apresentada peca por tardia e tendenciosamente eleitotalista, observe-se as ausências prioritárias e tudo o que foi concebido estrategicamente na nítida e descarada caça ao voto. Aqui as prioridades prevaleceram, tipo hipermercado, expondo à altura da vista o producto que urge converter em voto. Caem como tordos. Ademais, a maioria das obras executadas foram-no em  redutos circunscritos de maioria PS, o que demonstra a desonesta estratégia desta autarquia. A apregoada auscultação das "forças vivas" do Conselho cumpre um estranho ritual solene quando deveria existir a humildade de verificar in loco o ror de prioridades isentas de partidarismo, pompa e circunstância. O êxito e progresso de qualquer comunidade consiste em avaliações prioritárias, metódicas, e consciêncializadas na salvaguarda dos problemas que afetam o cotidiano dessa mesma comunidade na sua totalidade com espírito de servir o bem comum! Para tal, pagamos todos! O povo grita no sufoco calado, acorrentado, prestando tributo às migalhas que lhes são atiradas à sua ilha tão cara a título suficiente na precaridade das suas necessidades prementes. Os projetos avulsos a azul dourados tem que ter um fim urgente, já nas próximas eleições autárquicas, caso o povo decida vincular soluções dignas com a maior arma que possui, o voto, a sua vitória no  almejado progresso democrático, ausente numa fachada reconhecidamente gasta e falhada na arte do ludibrio discriminado  que lhes sustenta a vaidade, e o luxo ostensivo, de olhos pregados no chão esburacado da indiferença.

Vitor Jorge

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

SESAME STREET

SESAME STREET

O Secretário Regional dos Transportes e Obras Públicas do Governo Regional dos Açores anunciou recentemente que a região se prepara para "honrar" um compromisso eleitoral do governo:   investir 1,1 milhões de euros na sinalização horizontal em estradas de todas as ilhas dos Açores, dando seguimento ao trabalho desenvolvido no âmbito da rede viária do arquipélago.
Vítor Fraga frisou que este investimento visa “aumentar as condições de circulação e segurança” nas estradas dos Açores com vista à melhoria das acessibilidades das vias públicas, das condições de mobilidade e e a qualidade de vida dos Açorianos”. Este é o teor e "intenção da boa" notícia. A sinalização das estradas do arquipélago constituem uma medida inteligente, contribuindo para evitar acidentes e transgressões, desde que o condutor do veículo a consiga vislumbrar, o que também deixará de constituir problema considerando que 1.1 milhões de euros compra muito sinal mesmo a preço inflacionado, divididos pelas nove ilhas, certamente estamos prestes a assistir a um "festival" de sinais que deveriam concorrer ao Guiness pela ordem bizarra da utilidade. Proibido curvar à esquerda, será sem dúvida o mais utilizado, obrigatório curvar à direita, estradas sem saída, pista de buracos, esta estrada não oferece segurança a veículos normais só para jipes todo o terreno, compre um, idem idem.
Não conheço o estado das redes viárias das outras oito ilhas, mas conheço a realidade Faialense neste capítulo estão miserávelmente intransitáveis, com recuperação previsível dentro dos próximos cem anos.Decoradas com sinais passam a ter outro encanto inútil, a segurança e o bem-estar do povo Açoriano neste capítulo, passa indubitavelmente pela renovação das redes viárias, só depois a devida sinalização ordenada e necessária, é a ordem correcta deste processo: princípio, meio, e fim.
O imberbe secretário regional persiste na fantasia "educativa" do Poupas da velhinha série televisiva Rua Sésamo, com a agravante do Césio que polui com consequências negativas  o ar que todos respiramos num silêncio comprometedor sem vestígios de qualquer prioridade monitorizadora constante em nome da saúde pública. Os mortos não falam, os vivos calam, aceitando como "destino" os deuses mortais de Fokushima. É esta a real preocupação deste governo regional com a "segurança" do seu povo, que constroi hospitais sem médicos nem equipamentos de diagnóstico e tratamento, esse mesmo povo que sofre, mas continua a eleger maiorias PS na tonteria do bem-me-quer. Os sinais falam por si, o estrondo de 1.1 milhões de euros do seu custo são o exemplo das práticas prioritárias deste desconcertante desgoverno. Há os que se governam neste mar de rosas atípico de qualquer democracia lícita. Cada um tem o que merece, e por mérito colectivo do povo Açoriano, um viva ao PS e aos Poupas da Sesame Street da nossa "pedagógica White House".

(Desculpe o leitor os neologismos, no momento turístico soa bem)

Vitor Jorge

domingo, 15 de janeiro de 2017

ALTURA NÃO É FORMOSURA

ALTURA NÃO É FORMUSURA

Do alto do seu 1,85mt Barack Obama termina o seu mandato como presidente dos Estados Unidos. O primeiro negro a conseguir este estatuto. Limitou-se a seguir a mesma linha pragmática dos Estados Unidos que recaem sempre no velho costume. Fazem em casa o grande discurso da liberdade, mas  desmentem-no na sua conduta diplomática. A popularidade de Obama passou por oscilações desde que ingressou na Casa Branca. A princípio, granjeou apoio popular pelas medidas liberais que defendera, contrapondo-se ao conservadorismo republicano, prometendo extinguir logo a prisão de Guantanamo.
Com o passar do tempo, a sua aura foi decaindo por não haver atendido, de imediato, as reclamações dos seus eleitores no combate à elevada taxa de desemprego e pobreza extrema.
O acto  quiçá mais "relevante" da sua política interna foi a aprovação da reforma mais liberal do sistema de saúde dos EUA, desde a sua criação na década de 60.
A partir de então, quase todos os cidadãos americanos seriam obrigados a ter um plano de saúde, sem prejuízo da criação de subsídios para quem não podia obtê-lo por falta de recursos.                                         A implementação desta justa reforma do sistema de saúde para com os mais desfavorecidos, revelou-se criteriosamente injusta por não contemplar a totalidade dos milhões de necessitados. 
Com as fantochadas do suposto extermínio de Osama Bin Laden, do levantamento do bloqueio a Cuba, recobrou transitoriamente a estima pública, mesmo não contando com a perspectiva animadora de retomar o fôlego que o sustentava.
Ainda na sua politica interna e segundo o Departamento do Tesouro, os EUA devem somente ao Brasil US$187 biliões. O seu maior credor é a China, com US$1,1 trilião, seguida pelo Japão com US$ 882,3 biliões, o Reino Unido com US$272,1 biliões e aos exportadores de petróleo US$ 211,9 biliões.
Segundo especialistas em gastos bélicos, somente as operações no Afeganistão atingiram a US$ 2 bilhões por semana.
O financiamento de ações militares, incentivado após os atentados de setembro de 2001, provocaram críticas acérrimas ao presidente Barack Obama tanto de parte dos opositores como dos democratas, não contabilizando as restantes intromissões nas soberanias de muitos países,e financiamentos de grupos terroristas numa constante atitude promotora da guerra e do caos universal. Ironicamente foi-lhe atribuído o prémio Nobel da Paz, uma das maiores contradições da história actual em que se premeia e incentiva o mal, e se condena o bem.
Barack Obama fica na história como um péssimo presidente da "maior democracia universal".
Donald Trump altura 1,91mt
Vladimir Putin altura 1,70mt
Xi Jinping (china)altura 1,80mt. Quem estará à altura de consolidar a paz ?

Vitor Jorge

sábado, 7 de janeiro de 2017

HORÓSCOPOS E ADIVINHOS

HORÓSCOPOS E ADIVINHOS

No dealbar de cada ano proliferam nos mídias universais profecias compiladas a esquadro e compasso, numerulogia, e um vastíssimo churrilho de cálculos matemáticos complexos, numa tentativa de provar a sua infalibilidade e consequente credibilidade.
Merecem crédito? Bem, o esforço é gigantesco, para provar que a astrologia, a rabdomância, quiromancia, e miríades de "especializações" nesta área, revelam-se como ciências infalíveis. De facto, uma maioria dá no alvo, vejamos: morrerão pessoas célebres, haverá terremotos, muitos países terão quartos de hora de inquietação, etc etc. É facílimo afirmar o óbvio, tanto quanto crer nele, a receptividade humana é permeável a este embuste. Quando os astrólogos começam a ler os "destinos" dos povos nas constelações, nas caudas dos cometas, continuam a dar no alvo, com uma diferença, só prevêem, os factos depois de consumados, nunca antes, o que lhes outorga o elevado grau  de charlatanice. As coincidências, aliadas destes "especialistas", favorecem-nos sempre, quando acontecem, caso contrário, justificam-se apressadamente com alterações cósmicas que não foram capazes de prever.
Devemos continuar a acreditar nas nossas capacidades mentais e físicas, no producto do nosso labor, e na suprema força de vencer os escolhos e a escória com as quais nos degladiamos cotidianamente, levar de vencida pela nossa própria e real vontade que não vem impressa em nenhuma conjugação astral ou qualquer outro método premonitório utilizado pelos cancros das adivinhações, sem cura à vista.

Vitor Jorge