quinta-feira, 1 de agosto de 2019

O MELHOR VESTIDO DE NOIVA É A PELE

SINTESE DE RESULTADOS OFICIAIS FORNECIDOS PELA REGIONAL DIREÇÃO DOS ASSUNTOS DO MAR

"1-Praia de Porto Pim, no Faial, reabre quarta-feira, 31 de julho, à prática balnear, depois de ter estado interdita a banhos devido a um fenómeno tópico e espacialmente restrito de contaminação por bactérias fecais.

2- A Direção Regional dos Assuntos do Mar (DRAM), na sequência de um reporte informal de que várias crianças teriam tido alguns problemas de pele, embora sem gravidade, após terem frequentado a Praia de Porto Pim, contratou o Instituto Ricardo Jorge para proceder à recolha de amostras de areia em diversos locais da praia, sendo que os resultados preliminares indicaram a presença de contaminação bacteriológica em algumas zonas do areal.

3- O técnico especialista do Instituto Ricardo Jorge recolheu uma amostra de areia junto ao paredão sul da praia e outra amostra, composta em quatro áreas, ao longo da praia.

4- Refira-se que, por lei, não é obrigatório fazerem-se análises de areia das zonas balneares.

5- Os resultados das análises indicaram, sem margem para dúvida, a existência de um foco de contaminação fecal, junto ao paredão da praia.

6- Perante esta situação, a DRAM convocou as autoridades competentes, nomeadamente a Delegada de Saúde Concelhia da Ilha do Faial, a Polícia Marítima e o Parque Natural da Ilha do Faial, bem como a Câmara Municipal da Horta, para ser desenhado um plano de ação para mitigar a contaminação por bactérias fecais (Escherichia coli e Enterococos intestinais).

7- Paralelamente, a DRAM intensificou também a monitorização regular daquela água balnear, em especial na proximidade do foco de contaminação, tendo-se verificado que se encontrava em boas condições para banhos.

8 - Por outro lado, o Parque Natural da Ilha do Faial desenvolveu todos os esforços para identificar e conter a origem da contaminação, tendo-se concluído que se devia a uma deficiência de uma caixa de passagem do sistema de fossas do bar da Fábrica da Baleia, que foi imediatamente reparada, através da sua impermeabilização.

9- A interdição da Praia de Porto Pim revela que o sistema de monitorização das zonas balneares dos Açores é eficaz, permitindo que a sua utilização seja feita em segurança.

10- Refira-se ainda que o processo entre a recolha das amostras, a sua análise e a obtenção de resultados leva o seu tempo, tendo sido disponibilizada a informação possível, de modo a evitar especulações e interpretações erróneas."

(Na minha nota anterior "DEIXA ANDAR QUE LEVA AZEITE", fica infelizmente provada a minha teoria, acrescida da razão  que me assiste.)

O MELHOR VESTIDO DE NOIVA É A PELE

Persigo a voz inimiga que me ditou a origem de estar triste com esta situação de viver numa região onde reina o inverosímil. Às vezes, dá-me para sentir que a alegria é um delito de alta traição, e que sou culpado do privilégio de continuar vivo e livre.
Nessa altura, faz-me bem recordar o saudoso e insigne Dr. Luís Decq Mota ao verbalizar diante das ruínas provocadas pelo vulcão dos Capelinhos :《As cinzas queriam fazer-nos desaparecer. Mas não  conseguiram, porque estamos vivos e isso é o principal》. E penso que o Dr. tinha razão. Estar-mos vivos: uma pequena vitória. Estar-mos vivos, ou seja: capazes de alegria, apesar dos adeuses para outras paragens seja o testemunho de uma outra região e autonomia possíveis, quanto desejáveis.
Aos Açores, tarefa por fazer, não os vamos continuar a erigir com tijolos de merda .
A alegria requer mais coragem que a mágoa.
À mágoa, ao caciquismo local e regional, ao fim e ao cabo estamos habituados, mudos e quedos, na nossa tradicional antropologia da vacuidade. Está visto que se pode proibir a água, a sede não.

Vitor Jorge

quinta-feira, 18 de julho de 2019

DEIXA ANDAR QUE LEVA AZEITE

DEIXA ANDAR QUE LEVA AZEITE

Desde tenra idade que escutei esta frase, da boca do meu sábio guru e amigo António, sempre que qualquer assunto que não interesse ao próprio venha à  baila. Na circunstância, a Praia de Porto Pim, interdita a banhos, porque só agora foram detectados na areia micro organismos supostamente nocivos à  saúde humana. Entretanto nela se rebolaram, brincaram, crianças e idosos vítimas inocentes da indiferença a que este governo Regional nos mantém subordinados. Na prática responsável, o mínimo exigível seria uma análise antes do início da época balnear e constante monitoramento durante a mesma. A irresponsabilidade é grave, em qualquer situação, mas quando se trata da saúde pública não tem perdão. Deem-lhe as voltas que derem a saúde será sempre a prioridade das prioridades de qualquer governo que preze o bem estar dos seus cidadãos, para o dos Açores está no último nível das necessidades. Ao elevado grau de poluição visível, acresce o invisível vindo do mar, da terra, do ar, sem qualquer solução na prática, simplesmente porque se entende dourar as algemas com o azul das hortênsias, o pasto verde, a felicidade das vaquinhas, a abastança de um mar sem peixes, os pôr-de-sol, borrados de photoshop (maioria), os tons venezianos das imagens que se passam para inglês ver, na idiotice de uma aglutinante massificação turística que, em vez de paraíso, se transforma vertiginosamente num inferno de choro e ranger de dentes de todos os que de boa fé acreditaram na redenção do turismo como único colete salva-vidas da nossa prosperidade.
As reconversões da casa dos Dabney, ali mesmo à beirinha da baía  de Porto Pim, o aquário, a Fábrica da Baleia, seriam obras louváveis, não fora a ausência de estudos geológicos na sua concepção, foram construídas fossas sėpticas com vasamento sobre uma das rochas mais permeáveis que existem, como resultado o cheiro nauseabundo de fossa naquela área é insuportável. A cereja no topo do bolo poluítivo está patente nas águas da baía antes límpidas, agora lodosas. Porquê, nesta mesma baía, desapareceram ouriços, e tantos elementos naturais da fauna destas águas ? ! Alguém se interessou pelo fenómeno ? ! Tristes, delapidados, persiste-se no sonho da contemplação do vai-vem das marés também elas eternas noivas em núpcias de rendas vestidas nestes vendavais de poluição e inércia do deixa andar que leva azeite.

Vitor Jorge

terça-feira, 14 de maio de 2019

MAIO TREZE

O dia treze de Maio de 2018 perpetuou-se mais uma vez na história de Portugal. Desta feita com um pleno de vitórias emotivas geradoras de rios de lágrimas, alegrias, e delírios, bem ao gosto do povo que pelo menos por um dia ousou olvidar sob coação mediática os gritos de revolta e angústia com que se manifesta a cada dia contra o estado da política do país, a corrupção, o desemprego, a pobreza, e a perda de regalias sociais de que é vítima passiva. Este estado de euforia rúptil tem antecedentes com quase um século de existência o que poderá ser considerado um acto de tradição ortodoxa transmitido através de gerações. Nesta concupiscência, prevalece Fátima como epicentro da fé, futebol como enfarte, e fado como fatalismo, os "famosos" três F's que continuam a demonstrar uma forte incapacidade evolutiva da nossa cultura  como pilar do progresso e desenvolvimento da psique naufragada na manipulação e oportunismo dos antípodas de uma sociedade clarividente na qual nem os paladinos da lógica sobrevivem aos pífios da mediocridade.

Vitor Jorge

domingo, 7 de abril de 2019

A MINHA PRIMEIRA GREVE

MEMÓRIAS DO PASSADO PRESENTE

A primeira greve da minha vida deixou-me cicatrizes. Geralmente, os conflitos do ensino não me preocupavam muito, por mero desconhecimento de causa. Mas a F. P. A. tinha decretado dois dias de greve, os alunos aderiram e eu nem sequer perguntei qual era o motivo. Só pensei que, já que não ia às aulas, poderia aproveitar para devolver ao Lopes um monte de livros que ele me tinha emprestado nos últimos meses. O Lopes vivia ali próximo, na Calçada do Grilo, por isso pus vários Freud, Jung e Adler na pasta que levava diáriamente para as aulas. Pus outros tantos num saco, apanhei um eléctrico, e apeei-me na paragem próxima da escola.
Lentamente (nestas circunstâncias os livros pesam), dirigi-me à Calçada do Grilo. Ali próximo, distingui a figura inconfundível do Tomás, conhecido como o Campeão (tinha ganho várias competições de atletismo para jovens). Fez-me sinal e começou a aproximar-se. O Campeão era bom atleta mas mau aluno. Tinha mais dois anos do que eu, todavia era repetente e estava na minha turma. Diziam que era comunista e era um eficaz organizador de paralisações, greves, protestos, manifestações, etc. Decorria o ano de 1972. Esperei por ele, carregado de livros. Mas quando finalmente chegou ao pé de mim, gritou:
Traidor! Fura greves!
E sem dizer água vai, encaixou-me um tremendo murro na maçã direita do rosto que ficou logo como um farol. Enquanto me baixava para pousar no chão a minha carga de livros e poder defender-me, consegui gritar-lhe:
Então Campeão, o que é que tu tens? Estás doido? Eu não sou, nunca fui traidor!
Ai não? E onde é que tu vais com isso tudo? Não vais para as aulas?
Não, Campeão, vou devolver estes livros ao Lopes, que mos emprestou e vive aqui perto.
Mostrei-lhe a minha carga para que visse que não eram livros escolares. O Tomasito ficou roxo.
Desculpa, magrinho. Como é que eu pude fazer-te isto se sou tão teu amigo, e com tudo o que tu me sopras durante as aulas. Desculpa magrinho, a sério, desculpa.
Desculpei-o, apesar da minha maçã do rosto continuar a fazer uma sinalização que parecia o farol da entrada da barra do porto de Lisboa.
Insistiu muito para me oferecer uma imperial e fomos à cervejaria defronte. Aí, como uma prova de confiança, contou-me a sua história. O pai batia na mãe diáriamente.
E o que é que ela faz?
Chora, só isso.
E tu?
Eu puxo-o pelo braço e afasto-o, mas acaba por me bater também e por me atirar ao chão.
Mas Tomasito, com esse corpo todo que tens...
O meu pai é muito maior do que eu. Além disso não posso nem quero bater-lhe. Só quero é que ele não bata na minha mãe.
E porque é que ele lhe bate?
Diz que ela teve um amante (ele diz <<um querido >>) aí há vinte anos atrás e que até desconfia (isto só acontece quando ele vem bêbado) que não é meu pai. Como é que não é? Somos parecidos como, não digo como duas gotas de água, mas como duas gotas de aguardente. Por isso é que tenho tanta dificuldade em estudar. Com um ambiente destes deves imaginar como é difícil concentrar-me.
Pagou as cervejas e propôs-me (já se tinha convencido de que eu não era um traidor) que nos aproximássemos da escola. Antes passámos em casa do Lopes e deixei-lhe os livros, agora com mais um motivo: não desencadear mais suspeitas infundadas. O Lopes olhou espantado para a minha maçã do rosto mas não disse nada.
Em frente à escola estavam cerca de duzentos estudantes que gritavam palavras de ordem. O trânsito estava cortado e ouvia-se considerável concerto para buzina e orquestra. Foi aí que apareceu um batalhão de pides, com a determinada intenção de pôr termo ao evento, batendo sem dó, e prendendo aliatoriamente. Começaram todos a correr que nem gazelas, mas eu devo ter corrido como uma tartaruga, resistindo sempre, apanhei uma espadeirada nas costas, um rasgão na camisa, e um par de algemas nos pulsos. Enquanto era empurrado com incrível "meiguice" para uma viatura, já não consegui vislumbrar o Tomasito nem o Lopes. Passei duas noites e dois dias no "hotel" da António Maria Cardoso, submetido a interrogatórios e sevícias dolorosas quanto injustas, nesta que foi a minha estreia na arte da inocência.
A meu favor contava um previlégio natural: aprendia rapidamente. A partir daí continuei a minha luta, voltei por diversas vezes à António Maria Cardoso, paguei caro os meus silêncios nos interrogatórios. Resistente, saí sempre vencedor, apanhei-lhes a estratégia da covardia, e a partir daí cresci e apareci, incapaz de julgar um meu semelhante.

Vitor Jorge

"É o indivíduo que não está interessado no seu semelhante quem tem as maiores dificuldades na vida e causa os maiores males aos outros. É entre tais indivíduos que se verificam todos os fracassos humanos".

Alfred Adler

domingo, 24 de março de 2019

SAÚDE PÚBLICA

HOJE: O PARAÍSO COM UM INFERNO OCULTO

Não pretendo com a presente nota provar o que quer que seja, porém no uso pleno da minha liberdade que me assiste, questionar o governo regional dos Açores e a secretaria regional da saúde sobre os silêncios que envolvem e comprometem esta secretaria sobre assuntos tão delicados como a saúde pública. Os casos dos números de óbitos em crescendo vítimas de cancro são assustadores nesta região autónoma, os registados, pelo IPO de Lisboa em indivíduos residentes nesta região, tem vindo a causar perplexidade pelo excesso de casos simultâneos aos clínicos que ali exercem a sua profissão. Será que o governo regional desconhece estes números ? Não é possível! Perante este quadro negro da saúde nos Açores, não terá a secretaria regional da saúde a obrigação cívica e moral de empreender estudos urgentes sobre esta questão no sentido da prevenção da saúde dos seus cidadãos de pleno direito? Os casos designados como infeções hospitalares em crescendo, com vítimas, não merecem da respectiva secretaria um esclarecimento público, e respectiva tomada de posição no sentido de erradicar uma situação impensável na actualidade? Que medidas foram tomadas no sentido de uma saúde pública decente e justa, um direito que está nitidamente a ser violado num silêncio comprometedor ? Será que estamos condenados à lei de Murphy ? Senhor presidente do governo regional dos Açores, senhor secretário regional da saúde, já passa do tempo de assumirem as vossas responsabilidades para com este povo que os elegeu porventura expectante numa posição governativa clarividente que dissipe esta bruma que nos quer vencer. A boa saúde do povo Açoreano é um direito inalienável que convém manter numa condição de dignidade que Vas. Ex.as teimam em menosprezar, remetendo para os desígnios das divindades a solução secular e conformista do povo desta região, que por qualquer anomalia divinal não funciona, quiçá por suprema irritação pela vossa inércia e desresponsabilidade na gestão uniforme e democrática deste paraíso com um inferno oculto.

27/03/2016

Vitor Jorge

sábado, 23 de março de 2019

À CONVERSA COM...

Ontem, e por força de circunstância, estive à conversa com dois proselitistas, adeptos fervorosos do salazarismo. Joguei conversa fora, coisas sem importância de maior, mas que foram, contudo, suficientes para me darem a entender que sentem por mim um desprezo amável e compreensivo, quase piedoso. Imagino que eles, quando se refastelam nos velhos cadeirões da demência, se devem sentir quase omnipresentes, pelo menos tão perto do Olimpo quanto pode chegar a sentir-se uma alma sórdida e escura. Chegaram ao ponto máximo. Para um futebolista, o máximo significa um dia fazer parte da selecção nacional; para um místico, comunicar​ alguma vez com o seu Deus; para um sentimental, encontrar num outro ser alguma vez o verdadeiro e o dos seus sentimentos. Em contrapartida, para esta pobre gente o máximo é um dia sentar-se nos cadeirões da etocracia, experimentar a sensação (que para outros seria tão incómoda) de que alguns destinos, estão nas suas mãos, ter a ilusão de que resolvem, de que dispõem, de que são alguém. No entanto, ontem, enquanto os observava, não consegui ver neles a cara de alguém mas de algo. Parecem-me coisas, não pessoas. Mas que lhes parecerei eu? Um imbecil, um incapaz, um fraco que se atreveu a recusar uma oferta do Olimpo, um Zé Ninguém. Uma vez, há muitos anos, ouvi o mais velho dizer: " o grande erro de alguns homens de negócios é tratar os seus empregados como se fossem humanos," nunca esqueci, nem esquecer​ei, aquela frasezinha, pela simples razão de que não a posso perdoar. Não apenas em meu nome mas em nome de todo o género humano. Agora sinto a forte tentação de dar a volta à frase e pensar: "o grande erro de alguns empregados é tratar os patrões como se fossem pessoas." Mas resisto a essa tentação. São pessoas. Não parecem, mas são. E pessoas dignas de uma odiosa piedade, da mais infamante entre as piedades, porque a verdade é que constroem  para elas uma casca de orgulho, uma repugnante desfaçatez, uma sólida hipocrisia, mas, no fundo, são ocos. Asquerosos e ocos. E padecem da mais horrível variante de solidão, a solidão daquele que nem a si próprio se tem.

Viktor Jota

quarta-feira, 6 de março de 2019

OS BARBAROS E O PROGRESSO

Os Bárbaros e o progresso

Numa Ilha de
173, 1 km quadrados de superfície rodeada de mar por todos os lados, cerca de 15 000 pessoas habitam esta nesga de terra, com sérias tendências de redução de áreas onde os seus habitantes tenham pleno direito à lógica do livre acesso e usufruto do território que é propriedade dos seus habitantes que pagam alto preço por esse benefício: viver numa ilha, é sonho, poesia, romance, assente sobre a natureza num harmonioso contraste terra - mar desde os primórdios, as nossas gentes sempre labutaram o seu sustento nestas duas áreas naturais, sem constar empírica ou cientificamente qualquer tipo de delapitação da sua fauna e flora ambientais  quer em terra quer no mar. Provas disso: caçaram-se cachalotes, golfinhos, pescaram-se atuns e todas as variedades de peixes consumíveis na alimentação, caçaram-se cagarras para engodo e isco; nenhuma destas espécies esteve alguma vez posta em causa de extermínio, idem para as aves migratórias que jamais nos abandonaram. Os consumos foram sempre metódicos e coerentes durante muitos séculos e outras tantas gerações que sobreviveram em consonância responsável  com o ambiente; face há actualidade somos forçados a atribuirmo-nos uma classificação indigna de bárbaros. As circunstâncias políticas em que o país viveu não promoveu o desenvolvimento e por conseguinte o progresso necessário. A adesão à União Europeia foi o primeiro passo para uma política vocacionada ao progresso que se supôs igualitário quase "milagroso", porém a realidade nostálgica e ignota esfumou-se nos subsídios para não se produzir ou fazê-lo sob tabelas impostas pela mesma União cuja finalidade e objectivos só agora tem visibilidade negativa, na corrupção e interesses dos grandes banqueiros. Eis que entramos na "era do progresso em alta escala de abundância" do salve-se quem poder e da anarquia de gestões ruinosas dos nossos recursos ilhéus imparáveis, a tão apregoada autonomia e unidade Açoriana nunca existiu, a capital continua sediada em São Miguel apesar dos esforços de manobras de diversão conseguidas e continuadas na submissão estagnada e estupidificante deste povo que persiste em ser espoliado na constante degradação do seu modus vivendi: a pobreza explodiu, dando lugar à anarquia, vale tudo para sobreviver, idealizam-se proibições, interdições sem sentido, que incitam à contrafação e ao descalabro total dispensável. As nossas riquezas marinhas estão reduzidas a quase zero, o pescado eleva-se a preços exorbitantes bem como a carne, proibitivos ao consumidor sem poder de compra, enquanto isso, nenhum pescador vai além da miséria, nem os productores de carne saem da cepa torta. Em agonia aposta-se na venda de um destino turístico em que lucram os mesmos de sempre (São Miguel) as restantes ilhas ficarão à mercê das migalhas e do turista falido.
A persistente e constante gestão ruinosa de todos os governos pós autonomia são a causa que culmina com a actuação do governo actual visivelmente incapacitado de ter uma atitude progressista igualitária e libertadora para com este povo que cumpre com os seus impostos na cega espectactiva sebastianista de que surgindo das brumas haverá uma divindade que lhes valha, na imprevisibilidade dos tempos.

Vitor Jorge
06/03/2016