sexta-feira, 16 de setembro de 2016

AEROPORTOS NO FUMEIRO

AEROPORTOS NO FUMEIRO

A chama da irmanacão entre as ilhas do Pico e Faial é uma realidade secular, pela proximidade e partilha das suas necessidades cotidianas, do comercial ao familiar, completam-se indubitavelmente.
As duas ilhas foram berço de figuras públicas de relevo no panorama nacional e regional, destacando-se também a nível internacional mais concretamente na imigração fruto do seu trabalho e erudição.
Os residentes destas duas ilhas são praticamente uma família que convive e confraterniza alegremente, com tudo o que possuem de melhor.
De quando em vez, talvez por questões de origem telúrica, todo este manancial de sã convivência entra em violentas erupções de bairrismos descabidos de alaridos contraproducentes recheados de chorrilhos de asneiras, de bate bocas desconexos, no complemento directo das questões sintéticas  analíticas.

Desta erupção recente estão em causa dois aeroportos: do Pico e Faial. Tudo porque o povo Faialense reclamou com justiça junto da Assembleia Regional dos Açores a pretensão do aumento da pista do seu aeroporto, que não os serve com dignidade. De imediato, os familiares Picoenses  deram início a um ror de contendas facebookianas acometidos alguns da desnecessária dor de corno, recrudescida pelo empirismo do senhor Cansado, personagem estafada na área em questão, colocando prosaicamente os dois aeroportos em conflito no fumeiro da indignação popular. O que anteriormente foi motivo de festejos e silêncios, mudaram de tom, agora são os Picoenses que defendem ferozmente o aumento da pista do seu aeroporto, centralizando-o como única meta válida do progresso das ilhas do triângulo: Pico, S. Jorge e Faial.

Luís Sepúlveda cita no seu livro, O velho que lia Romances de Amor, esta frase: "tens os dentes podres, a culpa é do governo". Na origem desta desordem social e política, estão bem patentes as culpas dos sucessivos governos socialistas no incumprimento das promessas eleitorais, do aumento das pistas dos dois aeroportos em questão adiadas até ao presente. "O povo tem os dentes podres", a culpa é desse mesmo povo que continua a crer nas mentiras debitadas pelo todo poderoso governo do Partido Socialista Açoriano que mantém as "ilhas de baixo" à mercê dos seus caprichos que o povo sempre elegeu e acarinhou com credibilidade sebastianista, regredindo a maquetes de museu para turista ver. O progresso joga-se noutro xadrez político evolutivo da democratização do sistema vigente em igualdade de oportunidades para o povo, e nunca no interesse de alguns, que se governam com o governo.
Agora dói, cada uma das duas ilhas Pico e Faial requerem pistas maiores, com razão, no caso Faialense, é por demais urgente um aumento da pista do seu aeroporto que permita mais segurança, conforto, e progresso aos seus habitantes que em circunstância alguma merecem ser sacrificados como o são na actualidade pagando alto preço por um serviço que nem gratuito é digno.
O aeroporto da Ilha do Pico merece a mesma dignidade, cabe ao seu povo definir as "linhas com que se se cosem" sem pretenções centralistas como advoga o sr. Cansado especialista na   desordem de favorecimentos políticos elitistas .
Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização dos nossos propósitos.
A união será sempre o ponto alto de partida de qualquer vitória, os governos temem-nas e caem inertes perante a força maior que o povo não vê ou não tem a coragem de enfrentar.
Que cada voto seja uma arma, nunca um clube político como a tradição tem demonstrado.
Aos conformistas, o silêncio fica-lhes muito bem. Continue-se a degostar as linguiças e morcelas, os petiscos, cá como lá, em unidade e paz congeminando as fórmulas democráticas de demover este governo a retirar aeroportos do fumeiro procedendo à sua consolidação em igualdade de circunstâncias democraticamente aceites, pela dignidade pública.
Ademais, melhores aeroportos requerem obviamente companhias aéreas com capacidade de oferta de um serviço abrangente que sirva os reais interesses das populações de ambas as ilhas, e por conseguinte do tão proclamado triângulo. A SATA, não se apresenta como alternativa de serviço público, outrossim uma farsa aérea descontrolada geradora de conflitos e mau estar entre os utentes obrigados a viajar nas suas escassas "carroças" aéreas sem alternativa, pelo menos nas "ilhas de baixo". O povo vitimizado, embarca em interesses pessoais sem escrúpulos desses regedores servis que promovem e assistem de bancada à desunião social que os mantém.

Vítor Jorge

 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

FURIOSOS DO RUIDO

FURIOSOS DO RUIDO

Contra todo e qualquer argumento, lógico, nunca fez sentido que se perturbe o sossego e merecido descanso, a milhares de pessoas que trabalham arduamente, os doentes, idosos,os que têm dificuldade em conciliar o sono para gáudio de uma centena, admito duas, de bigorrilhas com aversão a reflectir, e de quem os explora visando tão somente o aspecto lucrativo da demanda insane daquilo que os próprios qualificam de progresso. Progresso sim, das suas contas bancárias. Meus senhores, a isto chama-se poluição sonora em elevado grau, e total desrespeito para com os seus iguais. Não é minimamente compreensível, menos admissível que a CMH conceda tal tipo de massacre licenciado, seja a que título fôr, porém resalve-se o total desnorte do seu presidente e membros da comissão de festas das semanas do mar (minúsculas) sob o elevado ego da desordem que tem provocado ao povo desta Cidade da Horta.
A um razoável presidente desta edilidade ficaria muito bem uma posição pública inconspícua, atributos invisíveis na descoordenação visível às quais foram sujeitos os munícipes sem um mínimo de lucidez das realidades locais.
Fica provado uma vez mais que: vivemos em descontínua democracia, o povo apanha forte e feio, mas consente, o que leva a crer numa falsa inexistente e repugnante maioria, do quem se sentir mal mude-se.
Recentemente ao  ser entrevistado por uma estação de televisão nacional e respondendo à pertinente pergunta que me foi colocada, se vivia feliz aqui, respondi: Não! Este paraíso contém um inferno dentro. Claro que não foi difundida a minha constrangedora resposta. Persisto na mesma convicção, em consciência, mas não me mudo, farei de tudo legalmente para que se almeje a tão desejada mudança necessária rumo à liberdade e democracia consensuais.

Vítor Jorge

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

SANTÍSSIMOS CORDEIRINHOS

SANTÍSSIMOS CORDEIRINHOS.               

Para que se há-de apagar o fogo, se é essa a vontade de Deus? Deixa-se arder!
É nesta prespectiva que se cala e consente tudo, além de que este tipo de denúncias são entendidas como provocatórias, originando um sistema de represálias sobre quem comete a "ousadia" de não deixar arder em silêncio.
Predomina então a ignomínia, sob os mais torpes disfarces sobre o ou os visados doentes na maioria dos casos praticados à revelia pelas pessoas mais insuspeitas que usurpam da ética e profissionalismo que lhes assiste porque o sistema os protege na covardia dos  factos. Esquecem porém, que ainda prevalece a justiça, apesar de doente, ainda vive, até às mais altas instâncias.
Assim, não é admissível que exista uma exígua sala de espera no Hospital da Horta para albergar doentes de duas especialidades distintas, Oftalmologia, e Otorrinolaringologia, não disponibilizando cadeiras em número suficiente  para acolher todos os doentes quase todos os dias, proibidos de permanecer nos corredores, encostados às paredes os doentes obrigam-se a ficar de pé, ou sentados no chão dentro da sala de espera até que surja vez de sentar.
Foram gastos milhões de euros num edifício arquitetonicamente deficiente sem as valências necessárias ao seu usufruto em praticamente todas as áreas, numa manobra política enganadora para todos os que infelizmente dele nececitam, produzindo por metade aquilo que deveria ser o mínimo aceitável.
As máquinas fotográficas da RIAC e Registo Civil avariam em simultâneo e com frequência, a sala de espera da RIAC disponibiliza duas cadeiras para quem espera vez, que uma única funcionária procura suprir dando melhor de si, a Secretaria Regional da Solidariedade Social, tem a pomposidade do nome socialmente aceite, revelando-se um embuste no não auxílio a idosos, e população em geral, obrigando ao cumprimento de leis injustas e anti sociais, a Assistência Social não utiliza um critério único de suporte aos desfavorecidos. Conclusão: matam-nos pelos "benefícios" que não se usufruem, utilizados como estandarte de governação imaculada que o povo ingere nos silêncios das digestões imprevisíveis de cada dia.
Das gigantescas sombras iluminadas pela soberba, brotam fantasias enganadoras e ultrajantes para os humilhados destas ilhas onde continua a ser negado o direito à dignidade humana da existência.
Os focos de pobreza aumentam silenciosa e vergonhosamente, sem o mínimo manifesto deste governo regional, vive-se  no medo e necessidades, porém, há os que vivem da exortação e conformismo das mesmas por vontade divina. Confinados ao curto espaço de cada ilha e das suas necessidades específicas urgentes, há quem cante louvores e glórias a este governo regional, chegando ao cúmulo de se fazerem postar orgulhosamente numa selfie ao lado do abençoado presidente do governo regional como se fora troféu com uma pretensa divindade do Olimpo, para gáudio do próprio, e alimentação de egos inqualificáveis de quem vive bem com patrocínios governamentais e não sente um mínimo de vergonha e solidariedade para com os seus iguais limitados e submetidos a uma mísera e deficiente refeição diária. Exigir tratamento igualitário para todos os Acorianos é o mínimo que cada qual deveria fazer por si próprio e pelos outros em igualdade democrática inexistente.
No governo de salazar existia a figura do regedor, hoje, nos Açores, e não só, essa figura de má memória continua a existir com os mesmos poderes, capacidade de delação e mesquinhez bajuladora, continuam sendo os arautos felizes deste governo, governando-se.
Curvar-se das alturas para beijar velhinhas, criancinhas, sempre foi um jogo com resultados garantidos eleitoralistas de uma aparente humildade que este presidente nunca possuiu com qualquer Açoriano independente das idades. Basta de falsa propaganda, na sombra da hipocrisia do parecer em vez do ser.
"Dos nossos medos tem que nascer coragens" parafraseando Eduardo Galeano,
No centro deste foguetório com artifício onde ganha força e forma a lei do mais forte, o governo regional apresenta-se como divindade toda poderosa detentora da verdade e do prodígio Ciclope, estereotipado, do mau governo absolutista.
O povo Açoriano, exige democracia igualitária para todas as nove ilhas que compõe este arquipélago, em todas as áreas sociais como ponto de partida para o progresso retardatário, e contra a delapidação em que vive sujeito. Basta de cordeirinhos e inércia premeditada. Clama-se justiça daquilo que consiste num direito humano irrevogável.

Vítor Jorge

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A "FESTA" DOS TUPINIQUINS

A "FESTA" DOS TUPINIQUINS "

Todo o mundo tá presente, e muita gente ainda tá p'ra chegar: p'ranimar a FESTA," SEMANA DO MAR 2016"! Isto aqui está muito quente, está muito bom, olha a grande animação, comidas e bebidas às paletes, músicas a pontapés, o oceano virou lago; em terra, as ruas sumiram, foram p'rá festa, e anda a gente em ziguezague, uns com asas nos pés, outros com pés de chumbo, choques, embates, desculpas apressadas, sorrisos prazerosos. Caem as noites suaves em monumentais bebedeiras, muita alegria, vómitos de fartura, de fraqueza, servem de almofada, ali mesmo, nas ruas, praias, onde quer se esteja, no masculino, feminino, segura o tchan amarra o tchan, a lua míngua, o sol desponta para um novo dia nublado na forte ressaca dissimulada no breu da bica milagrosa.
Segue a festa, esta é a essência . Que festa? A depurativa orgânica! Vivam os lucros!
Há muito mais "festa" para além da festa: a dos tupiniquins! Quais bichos do mato, encarcerados nas suas viaturas, pedalando para não chegar com atraso aos seus empregos, a contas com desvios, voltas, reviravoltas, condicionamentos. Puzzles de solução difícil e onerosa a qualquer hora do dia, de muitos dias. Alto preço pagam os tupiniquins pela alegoria "festiva."
É um dever ético da organização deste evento, SEMANA do Mar, fazer muitíssimo melhor. Primeiro que tudo a salvaguarda harmónica do nosso povo "tupiniquins", depois os forasteiros que nos visitam. Mas a capacidade de fazer bem, não se vende, ou se tem, ou se teima em não ter, ou sofrem de decidofobia naif elevada ao cubo. Ou será desígnio divino? À cete égard !
Pôr um fim às restrições, proibições, libertar artérias deste "mau colesterol" imposto ao povo Faialense, facultar—lhe os motivos para festejar livremente a sua Semana do Mar, é prioritário. Primeiro nós, depois, e só depois, boas vindas aos forasteiros que desejem partilhar a alegria da festa livremente. Esta gratificante experiência já foi testada com resultados positivos, descontinuada sem justificação plausível. Não cabe na cabeça de ninguém que se interdite o livre acesso ao nosso melhor palco: Avenida Marginal e ruas limítrofes, acessos fundamentais ao correcto e saudável funcionamento dos pulmões desta cidade mar. Isto sim, é progresso saudável que deve ser cultivado, desenvolvido e acarinhado, em nome do povo e da sua belíssima cidade, que a comissão de festas se deve orgulhar de fazer reviver e partilhar com lucro garantido pela natureza ávida de mudança.
Obviamente fica provado que não dispomos de inteligência plausível, com capacidade de inverter o colapso. Que se importem mentes capazes de repor a ordem e progresso natural da festa, e, garantidamente, sobrará lucro para fogos de artifício, e da maior comemoração de todas : a liberdade de viver a festa sem grilhetas nem algemas.
Esta, é a "festa" dos tupiniquins.

(tupiniquins : [etnologia] pertencente ou relativo aos tupiniquins, antiga nação de índios brasileiros, no território da Bahia, actualmente ocupado.)

Vítor Jorge

sábado, 23 de julho de 2016

OS BUFOS

OS BUFOS

A palavra bufo na sua etimologia tem diversos significados nos dicionários de língua portuguesa. Nome masculino, na sua forma popular significa: pessoa que faz queixa dos outros, que denuncia os outros.
Nem as entidades divinas possuem nos seus exércitos arcanjos com capacidade depurativa desta praga humana perfeitamente dispensável, permanecendo evolutivamente a título de desígnio divino.
Sem constituir uma doença, é uma atitude humana próxima da esquizofrenia, da alienação horrenda do ego e da personalidade.
A sua história é tão antiga quanto a humanidade, na actualidade, motivada por determinados padrões sociais doentios, pessoas têm prosseguido nesta forma de aviltamento do ego na espectactiva de atingir o topo daquilo que entendem por "pirâmide social", a fórmula mais torpe de o conseguir, é , como é possível constatar, tornando-se num bufo especializado.
Comum aos dois sexos, embora explícito no masculino, prolífera epidémicamente em todas as áreas sociais. Sem identificação ou sinal que os defina, ou forma de os contabilizar, os bufos sempre constituiram uma "classe" social perversa e mesquinha na convivência com a honestidade e personalidade decentes, quer individualmente quer no colectivo. Aqui cabe a expressão " tanto é o ladrão, como o que fica ao portão", ou seja, o bufo delata alguém a outrém que por sua vez o consente para utilização pessoal ou colectiva, eis como se multiplicam estes vermes que se passeiam diariamente livres e disfarçados da mais imaculada inocência.
A covardia é o seu lugar comum, tola e velhacamente convictos que prestam um serviço que construirá os seus egos desfeitos em prodígios perante os sósias que se servem deles com igual perfídia delatando a seguir o seu venenoso "troféu".
São incontáveis as vítimas inocentes que estes bufos deixam pelos caminhos das suas existências necrófagas despojadas de qualquer sentido humano. As ditaduras utilizam-nos como polícias servis, lambe botas de sistemas políticos decrépitos, as democracias corruptas, o capitalismo, e cuide-se o leitor, que a seu lado tem imensos com residência fixa dispostos a tudo para bufar a sua existência aos quatro pontos cardeais.
Toda esta preocupante convivência tem como finalidade uma nova ordem social, segundo o parecer de alguns especialistas da regeneração humana, que evoluirá no sentido da sã convivência irmanada na bondade universal. Gostaria de partilhar o optimismo destes especialistas e acreditar na prática do bem e na total aniquilação e erradicação da face da terra desta terrível praga social. Até lá, confesso-me séptico e hermético aos bufos de qualquer etiologia.

Victor Jorge

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Voltei com o vento

VOLTEI COM O VENTO

O vento sopra para várias direções.

Em uma dessas direções

O vento me levou.

Assim como me trouxe de volta,

A casa que sempre me acolheu.

Não é que eu tenha escolhido ir.

Mas o destino se fez presente.

E não pude vencê-lo.

Levou-me para mais um desafio.

O desafio foi vencido e conquistado.

E lá do outro lado senti, saudades.

E a saudade me trouxe o vento.

O vento me trouxe de volta.

Hoje eu voltei!

Com o coração aberto e mais maduro.

Pronto para enfrentar novos convites

Vindo com o vento.

Mas não se preocupe se eu for.

Porque sempre estarei de volta.

Assim como vento vai e volta;

Eu também vou!

Levando lembranças.

E trazendo novidades.

A FLOR DE LIS *_*