Ontem, e por força de circunstância, estive à conversa com dois proselitistas, adeptos fervorosos do salazarismo. Joguei conversa fora, coisas sem importância de maior, mas que foram, contudo, suficientes para me darem a entender que sentem por mim um desprezo amável e compreensivo, quase piedoso. Imagino que eles, quando se refastelam nos velhos cadeirões da demência, se devem sentir quase omnipresentes, pelo menos tão perto do Olimpo quanto pode chegar a sentir-se uma alma sórdida e escura. Chegaram ao ponto máximo. Para um futebolista, o máximo significa um dia fazer parte da selecção nacional; para um místico, comunicar alguma vez com o seu Deus; para um sentimental, encontrar num outro ser alguma vez o verdadeiro e o dos seus sentimentos. Em contrapartida, para esta pobre gente o máximo é um dia sentar-se nos cadeirões da etocracia, experimentar a sensação (que para outros seria tão incómoda) de que alguns destinos, estão nas suas mãos, ter a ilusão de que resolvem, de que dispõem, de que são alguém. No entanto, ontem, enquanto os observava, não consegui ver neles a cara de alguém mas de algo. Parecem-me coisas, não pessoas. Mas que lhes parecerei eu? Um imbecil, um incapaz, um fraco que se atreveu a recusar uma oferta do Olimpo, um Zé Ninguém. Uma vez, há muitos anos, ouvi o mais velho dizer: " o grande erro de alguns homens de negócios é tratar os seus empregados como se fossem humanos," nunca esqueci, nem esquecerei, aquela frasezinha, pela simples razão de que não a posso perdoar. Não apenas em meu nome mas em nome de todo o género humano. Agora sinto a forte tentação de dar a volta à frase e pensar: "o grande erro de alguns empregados é tratar os patrões como se fossem pessoas." Mas resisto a essa tentação. São pessoas. Não parecem, mas são. E pessoas dignas de uma odiosa piedade, da mais infamante entre as piedades, porque a verdade é que constroem para elas uma casca de orgulho, uma repugnante desfaçatez, uma sólida hipocrisia, mas, no fundo, são ocos. Asquerosos e ocos. E padecem da mais horrível variante de solidão, a solidão daquele que nem a si próprio se tem.
Este blogue é tão-somente a minha “página” na Internet.Não sou o dono da razão, nem da verdade,sou mais um ser humano e tenho “defeitos” como todos os outros. A minha escrita por vezes, poderá ser cáustica, e satírica, escrevo assim por gosto, por amor incondicional pela escrita, natureza, humanidade, paz, liberdade, justiça social, e um mundo novo, exequível. Se o meu amor for "pecado" estou a residir no planeta errado ! BEM VIND@S A TOD@S QUE VIEREM POR BEM ! vitor jorge
sexta-feira, 24 de março de 2017
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
AZUL DOURADO
AZUL DOURADO
Tenho em mãos a "famosa" revista Horta Municipal (gestão estratégica potência investimentos). Hilariante! Seguem-se trinta e nove páginas "cativantes", trinta delas reservadas escrupulosamente ao excelso carisma pessoal de demagogo profissional do presidente da Edilidade Faialense. No seu todo, a revista revela-se extra-piramidal, demonstrativa da "pujança feliz" com que o autocrata presidente da Edilidade marca com ferrete em brasa o povo desta ilha com a sua "brilhante" gestão recorrente num festival de photoshop azul dourado no desiderato de demonstrar que esta ilha se transformou no paraíso na terra por mérito soberano da sua gestão de polichinelo.
Vistas as coisas por esta dioptria vivemos numa ilha idílica onde as necessidades dos munícipes estão preenchidas, se não, na melhor das hipóteses dentro dos próximos cem anos, tempo expectável da prestidigitação de prevalência PS à frente dos destinos do povo desta ilha. Todos sabem que "Roma e Pavia não se fizeram num dia", e que é necessário tempo para solucionar a imensidão dos problemas existentes, também se sabe, ou deveria saber-se, que a obra apresentada peca por tardia e tendenciosamente eleitotalista, observe-se as ausências prioritárias e tudo o que foi concebido estrategicamente na nítida e descarada caça ao voto. Aqui as prioridades prevaleceram, tipo hipermercado, expondo à altura da vista o producto que urge converter em voto. Caem como tordos. Ademais, a maioria das obras executadas foram-no em redutos circunscritos de maioria PS, o que demonstra a desonesta estratégia desta autarquia. A apregoada auscultação das "forças vivas" do Conselho cumpre um estranho ritual solene quando deveria existir a humildade de verificar in loco o ror de prioridades isentas de partidarismo, pompa e circunstância. O êxito e progresso de qualquer comunidade consiste em avaliações prioritárias, metódicas, e consciêncializadas na salvaguarda dos problemas que afetam o cotidiano dessa mesma comunidade na sua totalidade com espírito de servir o bem comum! Para tal, pagamos todos! O povo grita no sufoco calado, acorrentado, prestando tributo às migalhas que lhes são atiradas à sua ilha tão cara a título suficiente na precaridade das suas necessidades prementes. Os projetos avulsos a azul dourados tem que ter um fim urgente, já nas próximas eleições autárquicas, caso o povo decida vincular soluções dignas com a maior arma que possui, o voto, a sua vitória no almejado progresso democrático, ausente numa fachada reconhecidamente gasta e falhada na arte do ludibrio discriminado que lhes sustenta a vaidade, e o luxo ostensivo, de olhos pregados no chão esburacado da indiferença.
Vitor Jorge
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
SESAME STREET
SESAME STREET
O Secretário Regional dos Transportes e Obras Públicas do Governo Regional dos Açores anunciou recentemente que a região se prepara para "honrar" um compromisso eleitoral do governo: investir 1,1 milhões de euros na sinalização horizontal em estradas de todas as ilhas dos Açores, dando seguimento ao trabalho desenvolvido no âmbito da rede viária do arquipélago.
Vítor Fraga frisou que este investimento visa “aumentar as condições de circulação e segurança” nas estradas dos Açores com vista à melhoria das acessibilidades das vias públicas, das condições de mobilidade e e a qualidade de vida dos Açorianos”. Este é o teor e "intenção da boa" notícia. A sinalização das estradas do arquipélago constituem uma medida inteligente, contribuindo para evitar acidentes e transgressões, desde que o condutor do veículo a consiga vislumbrar, o que também deixará de constituir problema considerando que 1.1 milhões de euros compra muito sinal mesmo a preço inflacionado, divididos pelas nove ilhas, certamente estamos prestes a assistir a um "festival" de sinais que deveriam concorrer ao Guiness pela ordem bizarra da utilidade. Proibido curvar à esquerda, será sem dúvida o mais utilizado, obrigatório curvar à direita, estradas sem saída, pista de buracos, esta estrada não oferece segurança a veículos normais só para jipes todo o terreno, compre um, idem idem.
Não conheço o estado das redes viárias das outras oito ilhas, mas conheço a realidade Faialense neste capítulo estão miserávelmente intransitáveis, com recuperação previsível dentro dos próximos cem anos.Decoradas com sinais passam a ter outro encanto inútil, a segurança e o bem-estar do povo Açoriano neste capítulo, passa indubitavelmente pela renovação das redes viárias, só depois a devida sinalização ordenada e necessária, é a ordem correcta deste processo: princípio, meio, e fim.
O imberbe secretário regional persiste na fantasia "educativa" do Poupas da velhinha série televisiva Rua Sésamo, com a agravante do Césio que polui com consequências negativas o ar que todos respiramos num silêncio comprometedor sem vestígios de qualquer prioridade monitorizadora constante em nome da saúde pública. Os mortos não falam, os vivos calam, aceitando como "destino" os deuses mortais de Fokushima. É esta a real preocupação deste governo regional com a "segurança" do seu povo, que constroi hospitais sem médicos nem equipamentos de diagnóstico e tratamento, esse mesmo povo que sofre, mas continua a eleger maiorias PS na tonteria do bem-me-quer. Os sinais falam por si, o estrondo de 1.1 milhões de euros do seu custo são o exemplo das práticas prioritárias deste desconcertante desgoverno. Há os que se governam neste mar de rosas atípico de qualquer democracia lícita. Cada um tem o que merece, e por mérito colectivo do povo Açoriano, um viva ao PS e aos Poupas da Sesame Street da nossa "pedagógica White House".
(Desculpe o leitor os neologismos, no momento turístico soa bem)
Vitor Jorge
domingo, 15 de janeiro de 2017
ALTURA NÃO É FORMOSURA
ALTURA NÃO É FORMUSURA
Do alto do seu 1,85mt Barack Obama termina o seu mandato como presidente dos Estados Unidos. O primeiro negro a conseguir este estatuto. Limitou-se a seguir a mesma linha pragmática dos Estados Unidos que recaem sempre no velho costume. Fazem em casa o grande discurso da liberdade, mas desmentem-no na sua conduta diplomática. A popularidade de Obama passou por oscilações desde que ingressou na Casa Branca. A princípio, granjeou apoio popular pelas medidas liberais que defendera, contrapondo-se ao conservadorismo republicano, prometendo extinguir logo a prisão de Guantanamo.
Com o passar do tempo, a sua aura foi decaindo por não haver atendido, de imediato, as reclamações dos seus eleitores no combate à elevada taxa de desemprego e pobreza extrema.
O acto quiçá mais "relevante" da sua política interna foi a aprovação da reforma mais liberal do sistema de saúde dos EUA, desde a sua criação na década de 60.
A partir de então, quase todos os cidadãos americanos seriam obrigados a ter um plano de saúde, sem prejuízo da criação de subsídios para quem não podia obtê-lo por falta de recursos. A implementação desta justa reforma do sistema de saúde para com os mais desfavorecidos, revelou-se criteriosamente injusta por não contemplar a totalidade dos milhões de necessitados.
Com as fantochadas do suposto extermínio de Osama Bin Laden, do levantamento do bloqueio a Cuba, recobrou transitoriamente a estima pública, mesmo não contando com a perspectiva animadora de retomar o fôlego que o sustentava.
Ainda na sua politica interna e segundo o Departamento do Tesouro, os EUA devem somente ao Brasil US$187 biliões. O seu maior credor é a China, com US$1,1 trilião, seguida pelo Japão com US$ 882,3 biliões, o Reino Unido com US$272,1 biliões e aos exportadores de petróleo US$ 211,9 biliões.
Segundo especialistas em gastos bélicos, somente as operações no Afeganistão atingiram a US$ 2 bilhões por semana.
O financiamento de ações militares, incentivado após os atentados de setembro de 2001, provocaram críticas acérrimas ao presidente Barack Obama tanto de parte dos opositores como dos democratas, não contabilizando as restantes intromissões nas soberanias de muitos países,e financiamentos de grupos terroristas numa constante atitude promotora da guerra e do caos universal. Ironicamente foi-lhe atribuído o prémio Nobel da Paz, uma das maiores contradições da história actual em que se premeia e incentiva o mal, e se condena o bem.
Barack Obama fica na história como um péssimo presidente da "maior democracia universal".
Donald Trump altura 1,91mt
Vladimir Putin altura 1,70mt
Xi Jinping (china)altura 1,80mt. Quem estará à altura de consolidar a paz ?
Vitor Jorge
sábado, 7 de janeiro de 2017
HORÓSCOPOS E ADIVINHOS
HORÓSCOPOS E ADIVINHOS
No dealbar de cada ano proliferam nos mídias universais profecias compiladas a esquadro e compasso, numerulogia, e um vastíssimo churrilho de cálculos matemáticos complexos, numa tentativa de provar a sua infalibilidade e consequente credibilidade.
Merecem crédito? Bem, o esforço é gigantesco, para provar que a astrologia, a rabdomância, quiromancia, e miríades de "especializações" nesta área, revelam-se como ciências infalíveis. De facto, uma maioria dá no alvo, vejamos: morrerão pessoas célebres, haverá terremotos, muitos países terão quartos de hora de inquietação, etc etc. É facílimo afirmar o óbvio, tanto quanto crer nele, a receptividade humana é permeável a este embuste. Quando os astrólogos começam a ler os "destinos" dos povos nas constelações, nas caudas dos cometas, continuam a dar no alvo, com uma diferença, só prevêem, os factos depois de consumados, nunca antes, o que lhes outorga o elevado grau de charlatanice. As coincidências, aliadas destes "especialistas", favorecem-nos sempre, quando acontecem, caso contrário, justificam-se apressadamente com alterações cósmicas que não foram capazes de prever.
Devemos continuar a acreditar nas nossas capacidades mentais e físicas, no producto do nosso labor, e na suprema força de vencer os escolhos e a escória com as quais nos degladiamos cotidianamente, levar de vencida pela nossa própria e real vontade que não vem impressa em nenhuma conjugação astral ou qualquer outro método premonitório utilizado pelos cancros das adivinhações, sem cura à vista.
Vitor Jorge
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
DEZEMBRO ARBITRÁRIO
DEZEMBRO ARBITRÁRIO
Já as mais antigas civilizações celebravam o mês de Dezembro como um importante rito de passagem, tendo como ponto alto do mês o Solstício de Inverno, a noite mais longa do ano, que acontece por volta do dia 21 e que celebra o nascimento do deus Sol, sendo que os dias vão crescendo progressivamente a partir dessa data. Dezembro é portando um mês abarrotado de peculiaridades e incoerências criacionistas que o elegem como o mais apetecido dos meses, enquanto a realidade é bem mais pungente. As chuvas intensas marcam presença, os frios instalam-se, muda-se de vestuário próprio da estação, o sol preguiça nas manhãs, caminha num percurso ténue e corre apressadamente para o seu ocaso. Surgem os estados gripais o agravamento das dores reumáticas, e de tantas outras relacionadas com a finalização do ciclo anual sempre prenhe de esperanças rotas, de promessas adiadas, de verdades dolorosas, mal digeridas nas longas noites de fastio e insónias incolores nos espaços metafísicos em que somos colocados pelos mitómanos que nos ousam governar.
Balanços feitos, os ordenados resultam aquém da elasticidade, sobrevive-se cortando nos bens de primeira necessidade alimentar, bebe-se àgua pela moringa para empurrar a mão cheia de comprimidos que diluiram o organismo, o ordenado, a magra pensão, a um epigrama de vida. Não gosto do mês de Dezembro. É sem dúvida um mês pífio, nos balanços anuais dos excluídos dos direitos humanos, e de todos os que clamam dignidade merecida no fluir de trezentos e sessenta e cinco dias nas órbitas dos perversos e inveterados mitómanos da humanidade .
Como corolário é também em Dezembro que soam as trombetas apocalípticas do capital: compra, consome, adquire, oferece, sacrifica-te, paga em suaves prestações... Natal! Não gosto do Natal! A festa orgástica do consumismo, da desigualdade, da negação do espírito da efeméride do nascimento de um homem pobre moldado a ouro fagueiro.
Luzes multicoloridas dos escaparates refletem-se nas lágrimas geladas de milhões de olhos ávidos de pão, de calor humano, camuflados pela ostentação selvagem e o desperdício observam em silêncio os despojos da batalha natalina capitalizada ao infinito.
A singeleza dos natais da minha infância não voltam, com ela partiram todos os que me ensinaram a comemorar com alegria a união familiar, onde o paladar de um simples rebuçado tinha um valor simbólico de saciedade até ao próximo.
É importante lembrar que muitas vezes o simples encontro entre famílias, e pessoas com predisposição a amizades sinceras com demonstrações de amor, carinho são suficientes para preencher o espaço de um presente.
Tenha a certeza que, a longo prazo, a sustentabilidade humana no planeta depende mais do afeto entre as pessoas do que de um mercado consumista! Que tal nos propormos à universalização da amizade genuína em todos os dias de todos os anos, com a paz como mediadora da concórdia entre os homens de boa vontade. Este é o meu enorme espírito Natalício. Defina o seu.
Boas Festas
Vitor jorge
sábado, 10 de dezembro de 2016
O LADO B DA CIVILIZAÇÃO
O LADO B DA CIVILIZAÇÃO
Já todos estamos consciencializados que o automóvel não é apenas um objecto banal.Mesmo que apenas o fosse, teríamos de contar com as suas consequências físicas mais directas, como a sinistralidade, o ruído e a poluição atmosférica.
É ao nível do urbanismo que o automóvel tem efeitos mais perniciosos. A sua presença invisível preside à própria expansão urbana e ao planeamento dos respectivos acessos. Gera a fragmentação do território por criar uma assimetria evidente entre os locais de trabalho e locais de residência; o automóvel é a solução universal de mobilidade que nos é imposta mas sem que a razão o justifique.
Detectar esta responsabilidade dos urbanistas no planeamento do território é descobrir as próprias condições a que temos de obedecer se nos quisermos deslocar para determinado local. Acima de tudo, o território desenhado segundo o automóvel é uma forma de controlo irresponsável. Que bom seria se a cada proprietário de um veículo fosse atribuído estacionamento privativo à porta de entrada da residência, mesmo em prejuízo de outrém de "estatuto social inferior", não seria o culminar da felicidade, mas certamente mais uma afirmação egocêntrica dos bebés proveta deste "Admirável Mundo Novo" (1).
As leis que regulamentam o trânsito tem como finalidade harmonizar a fluidez do mesmo, com regras transgredidas diariamente fruto da conveniência pessoal hipócrita.
A verdade é a ausência da mentira, que poucos ousam admitir em sociedade e onde quase todos se outorgam o direito de credibilizar a sua verdade como universalista. Um choque civilizacional da era hodierna com consequências directas e limitativas do progresso e bem estar da sociedade em que se inserem.
Vitor Jorge
(1) romance 1932 "O Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas.